Sesimbra
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
José Manta, um Herói anónimo
Este homem de 73 anos, tem na sua história de vida a história do seu país.
Na altura em que fez a recruta, muito longe de saber as grandes aventuras que lhe estavam reservadas, trabalhava em mármores e cantarias, tinha 21 anos e foi para o Regimento de Engenharia.
E assim chegou José Manta àquela terra mágica e exótica, de vegetação abundante e clima quente e húmido, muito diferente do nosso Portugal.
A sua missão era construir acessos rodoviários para a cidade, cargo que desempenhou entusiasticamente com os seus Camaradas.
Os portugueses abandonaram os quartéis e resistiram refugiando-se na densa selva indiana.
A missão dada a José Manta, era a destruição de uma Ponte, para impedir a passagem do inimigo, missão essa, que apesar de cumprida, não conseguiu evitar a chegada dos indianos à cidade. A situação complicou-se… mesmo de olhos fechados, o som das bombas e dos aviões era aterrador. Ouviam-se as balas a passar entre os soldados e alguns acabaram mesmo por dar o seu último suspiro ali, naquela terra tão estranha e longínqua.
Com apenas uma metralhadora antiaérea, escassa artilharia, poucas munições e só um navio de guerra, os portugueses não podiam resistir muito tempo. Os indianos tinham armas automáticas e nós umas Kropatchek de 1892, armas de origem checa completamente obsoletas, que era preciso carregar depois de cada tiro. Não tínhamos qualquer meio aéreo e eles atacaram com aviões a jacto.
Os que escaparam refugiaram-se nas instalações dos Oficiais e içaram uma bandeira branca como sinal de paz, as armas foram largadas. A cidade estava deserta.
No dia seguinte as tropas indianas chegaram ao local e ordenaram que as tropas portuguesas se reunissem, eram cerca de 1000 homens. 
Foram levados até ao Quartel-General e durante o percurso foram cuspidos, desonrados e ofendidos, enquanto a Bandeira Portuguesa era rasgada e espezinhada no chão.Para José Manta:
- Foi a coisa mais triste que me aconteceu até hoje!
Estavam prisioneiros. Passada uma semana foram levados para um campo de prisioneiros de combate e ai ficaram durante 5 meses. Durante esse tempo três soldados tentaram fugir e foram denunciados por um Furriel português. Foram capturados e mantidos isolados, vedados com arames. Os colegas chegaram a usar um cão para levar cigarros aos prisioneiros isolados. Alguns camaradas revoltaram-se com o Furriel, queriam fazer justiça pelas próprias mãos, era um traidor.Entretanto foram surpreendidos por um pelotão de fuzilamento indiano. Os portugueses olharam uns para os outros e temeram o pior pelas suas vidas. Durante 45 minutos estiveram em sentido e quem se mexesse era abatido. Foram momentos atrozes.
Em paralelo com estes acontecimentos, decorriam as negociações entre o governo indiano e governo português, que levou a um acordo e à libertação dos soldados portugueses a 10 de Maio de 1962. Antes de regressarem a Portugal no Navio “Pátria”, foram repatriados para Caraxi, no Paquistão.
José Manta:
- Há mais de 5 meses que não tomávamos banho e o que tínhamos vestido eram uns farrapos, no navio é que tivemos roupa lavada no corpo.
- Sem culpa nenhuma, a defender a Pátria, fui para um sitio daqueles, ficando mais de 5 meses preso, tratado como nem um animal deveria ser tratado.
Foram recebidos em Lisboa sob a ameaça de pistolas, dado Salazar os ter acusado de "covardes" por não terem lutado até à morte.
De toda esta experiência por terras dos Marajás, José Manta salienta a camaradagem entre os ex-combatentes como “uma tábua de salvação”.Em 2003, todos estes combatentes foram distinguidos com uma Medalha pelo Ministro da Defesa, o Dr. Paulo Portas.
- Aqueles que se sacrificaram pela Pátria!
Foram ainda honrados com um Diploma por Serviços Relevantes Prestados ao Pais.
Hoje o José Manta vive na Rua Cidade de Goa, uma homenagem à terra onde prestou serviço militar e de onde um dia por alguns momentos pensou que nunca sairia.
O José Manta já não precisa de apresentações… é um homem excepcional, culto, inteligente, bem disposto e destemido.
A sua personalidade, as suas capacidades e carisma, poderiam tê-lo levado mais longe, mas a sua humildade não quis.
A sua vida, as experiências que testemunhou e que viveu, fazem dele um ser humano extraordinário e único.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
O Voo da Maria João Inocêncio. Força João! Pessoal vamos ajudar e comprar o livro!
Como uma adolescente cheia de sonhos, a Maria João conta no Livro «O Voo da Borboleta», as várias etapas pelas quais tem passado, o que ainda está para vir e principalmente a fé que a acompanha e mantêm a esperança acesa.
Como uma borboleta em constante transformação, a João luta, e adapta-se aos novos obstáculos e desafios.
A mim sempre me pareceu uma rapariga normalíssima, desconhecia por completo este problema de saúde com que ela tem de lidar.
Recomendo a todos que comprem o livro, ajudem a João e tomem conhecimento de tudo o que ela tem passado, uma lutadora, uma verdadeira guerreira. Espero que recupere e que siga o mesmo percurso da Borboleta.

O Voo da Borboleta é uma obra de Maria João Inocêncio, com a colaboração de Filipa Guimarães e prefácio de Catarina Furtado , Editora Livros d'Hoje, 13,90€.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Os tempos são outros e as brincadeiras de infância já não são o que eram.
Quando éramos pequenas eu e as minhas grandes amigas, Teresa e Luísa, “o cérebro”, que por ser mais velha nos orientava e manipulava para as tropelias mais fantásticas e alucinantes de sempre, vivemos aventuras memoráveis e inesquecíveis.
Uma das minhas favoritas era ir “armar aos pássaros”, como isco usámos formigas de asa, que normalmente apanhávamos na serra e púnhamos dentro de um frasco de vidro, cuja tampa furávamos com um prego, ou então lagartas que tirávamos das maçarocas de milho. Depois lá íamos, fazíamos um valado, montávamos a ratoeira e íamos embora. No final do dia fazíamos a ronda para ver se tínhamos apanhado alguma coisa. Muitas vezes algumas ratoeiras já não tinham o isco e voltávamos a armá-las para o dia seguinte. Desde asas brancas a pardais, a maior recompensa de todas era um melro, era como se tivéssemos ganho a lotaria.
Durante o dia organizávamos verdadeiros e elaborados assaltos a pomares, ás vezes até com o próprio dono no local, o que tornava tudo ainda mais alucinante e chegávamos a casa com sacos carregados de fruta.
No Vale Brejo havia uma Nespereira gigante, que ainda hoje aparece nos mesmos sonhos, uma árvore vigorosa e resplandecente, com as suas longas folhas verdes. Na altura de dar fruto, quase parecia uma árvore de natal, onde as nêsperas eram as bolas, gigantes e suculentas, quase não tinham caroço. Cada uma de nós tinha o seu território, a sua pernada, o seu ramo. A Luisa, a líder, era mesmo no carrapito, na parte mais alta, eu e a Teresa ficávamos mais abaixo, cada uma de um lado. Éramos capazes de ficar ali uma tarde inteira, cada uma sentada no seu ramo a comer nêsperas… que grandes barrigadas.
As nossas aventuras não tem fim e existem muitas mais… que ficarão para outro dia, para não alongar muito o texto.
Uma das minhas favoritas era ir “armar aos pássaros”, como isco usámos formigas de asa, que normalmente apanhávamos na serra e púnhamos dentro de um frasco de vidro, cuja tampa furávamos com um prego, ou então lagartas que tirávamos das maçarocas de milho. Depois lá íamos, fazíamos um valado, montávamos a ratoeira e íamos embora. No final do dia fazíamos a ronda para ver se tínhamos apanhado alguma coisa. Muitas vezes algumas ratoeiras já não tinham o isco e voltávamos a armá-las para o dia seguinte. Desde asas brancas a pardais, a maior recompensa de todas era um melro, era como se tivéssemos ganho a lotaria.
Durante o dia organizávamos verdadeiros e elaborados assaltos a pomares, ás vezes até com o próprio dono no local, o que tornava tudo ainda mais alucinante e chegávamos a casa com sacos carregados de fruta.
No Vale Brejo havia uma Nespereira gigante, que ainda hoje aparece nos mesmos sonhos, uma árvore vigorosa e resplandecente, com as suas longas folhas verdes. Na altura de dar fruto, quase parecia uma árvore de natal, onde as nêsperas eram as bolas, gigantes e suculentas, quase não tinham caroço. Cada uma de nós tinha o seu território, a sua pernada, o seu ramo. A Luisa, a líder, era mesmo no carrapito, na parte mais alta, eu e a Teresa ficávamos mais abaixo, cada uma de um lado. Éramos capazes de ficar ali uma tarde inteira, cada uma sentada no seu ramo a comer nêsperas… que grandes barrigadas.
As nossas aventuras não tem fim e existem muitas mais… que ficarão para outro dia, para não alongar muito o texto.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
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