quarta-feira, 9 de julho de 2014

Fábulas e Contos de Alfarim:VOLUNTARIADO DE BICICLETA

Quando éramos mais pequenos, eu e o meu irmão, só brincávamos dentro do quintal, a minha mãe não nos deixava sair para o exterior, era perigoso e nós éramos pequeninos, o grande portão verde no fundo do jardim era a grande barreira. Mas agora que já estamos mais crescidos e é Verão, os dias são grandes e quentes, a mãe abre uma excepção.
Chamo-me Filipa e tenho 11 anos, o meu irmão tem 10 anos e chama-se Simão, vivemos em Alfarim, uma Aldeia pequena e antiga, próxima da praia e rodeada de pinheiros.
As ruas são pouco movimentadas, excepto a estrada principal, ai temos de ter muito cuidado e atenção. Assim, todos os dias quando saímos da Escola, pegamos nas nossas bicicletas e percorremos as Ruas de Alfarim a toda a velocidade, sempre a competir a ver quem chega primeiro.
Nestes passeios de bicicleta saudamos e cumprimentamos os vizinhos e conhecidos, Alfarim é uma aldeia pequena e toda a gente se conhece. Pedalar, pedalar, pedalar e sentir o vento fresco na cara, no pensamento o mapa com o traçado do percurso…
Existem muitos velhotes, simpáticos e sorridentes, que noutros tempos andavam a trabalhar nas terras e enchiam as estradas de terra batida de carroças puxadas por burritos e mulas.
Hoje os tempos são outros e a idade também já não permite.
Paramos em várias casas, descemos das bicicletas e conversamos animadamente com os velhotes, que ficam radiantes quando nos vêem chegar. Às vezes até já estão à nossa espera.
Como é fim de tarde mas ainda está calor, sentamo-nos ao fresquinho nas soleiras das portas e bebemos água fresquinha que o tio João tira do Poço, com um velho balde de ferro. Estamos ofegantes de tanto pedalar.
Às vezes apanhamos laranjas e descascamos enquanto conversamos, são tão azedas, mas sabem mesmo bem. O Simão diz palhaçadas, eu faço perguntas e ouvimos atentamente as histórias de outros tempos, que estes homens e mulheres contam emocionados e saudosos, muitas vezes com os olhos cheios de lágrimas. As histórias são maravilhosas, às vezes gostava de também as ter vivido. Os velhotes ficam contentes por nós nos interessarmos e ouvirmos, ou simplesmente por aparecermos.
Com o passar do tempo criamos laços de amizade, familiares, trocamos pequenos miminhos, insignificantes para nós, mas tão marcantes e essenciais para eles. É gratificante e compensador ver a alegria nestes rostos. Mais à frente a Tia Violeta, já está ao portão com o gato amarelo à nossa espera.
- Olá meninos! Vão para casa que já está de noite! Amanhã venham mais cedo, vou fazer uma limonada.
- Vamos tentar vir mais cedo e ajudamos-te a regar os limoeiros!
- Combinado meninos, até amanhã!
O sol desapareceu, o céu está cinzento e os candeeiros de rua já estão a piscar, colocamos os pés nos pedais, mãos nos volantes e toca a acelerar as bicicletas. Pelo caminho acenamos com as mãos até perder de vista, amanhã é outro dia e há mais visitas para fazer.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Palme D'Or


A famosa e cobiçada Palme d’Or que premia o melhor filme do prestigiado Festival de Cannes custa 20.000 euros e é fabricada com 118 gramas de ouro puro colada num bloco de cristal. Cada peça é única, porque o cristal pode ser de um tom um pouco diferente a cada ano. Produzidas por joalheiros da Chopard, com duas versōes «minis » para o melhor ator e melhor atriz. São estes artesãos que produzem a maioria das jóias que vemos na “red carpet” usadas pelas estrelas, todas as noites, durante o festival!


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Castelo_Info - .º1 Novembro_13

“O Cezimbrense”, n.º 493, 5.1.1936

05/01/1936
 “Alfarim é uma pequena mas interessante aldeia da freguesia do Castelo do concelho de Cesimbra, que dista, aproximadamente, oito quilómetros da vila, ficando situada ao Norte do concelho, tendo, pelo lado poente, o Oceano Atlântico, distinguindo-se do seu fundo, a Lagoa de Albufeira (...) que nos mimoseia pelo seu valor agrícola, pois possui, não só vastas ribeiras, como terrenos de regadio de abundante produção de milho, trigo, feijão.
Esta região é fértil também em pinheirais, sobreirais e hortaliças. Sob o ponto de vista pecuário, é um importante meio de procriação, mormente em gado caprino e lanígero. Circundam a aldeia de Alfarim as herdades da Foreira, Aiana, Ferraria e Apostiça, grandes fulcros de produção agrícola, que são um factor importante da riqueza do nosso concelho. A população – na sua grande maioria composta de trabalhadores rurais –, que, de manhã à noite, labuta na terra mater (...) num labor contínuo, empresta à sua pobreza o pão quotidiano”. A Festa de Alfarim “(...) Nas (...) humildes habitações (de Alfarim), destaca-se um edifício que marca, não só pela sua alvura como pelo que ele representa para aquele povo de fé e crença: a sua Capela, denominada templo da Nossa Senhora da Conceição, mandada construir pelos seus antepassados
e mantida – embora com sacrifício – pelos habitantes de Alfarim, Caixas e mais lugares circunvizinhos, que, levados pela sua religiosidade, pagam para que o pároco da freguesia ali vá, todos os Domingos e Dias Santificados, celebrar a sua missa, à qual assistem com convicta devoção. Neste templo, celebram-se anualmente duas festas importantes: a primeira, no Dia de Todos os Santos; a segunda, nos dias 26 e 27 de Dezembro. É pois sobre as festas do Natal, realizadas em Alfarim, que nos vamos ocupar (...) Ao entrar na ridente aldeia, já um pouco estropiado, deparei com um ‘unhaca’ que fazia parte da Comissão das Festas. Depois de um breve cumprimento, o nosso amigo conduz-me a uma barraca, daqueles estabelecimentos edificados com quatro adelgaçadas varas de pinho e vedados com dois metros de calhamaço, e oferece-nos um dos maiores manjares e especialidades da terra: as afamadas broas de Alfarim (...) Finda esta refeição (...) dei uma volta pelo recinto e pude observar que alguns milhares de pessoas ali permaneciam, vindas de todas as regiões circunvizinhas e, até, da sede do concelho. Por toda a parte se viam os chamados ‘bolacheiros’, com os seus tabuleiros e as mais variadas doçarias; os quinquilheiros, com as suas ‘bugigangas’, a convidar os noivos a já os brinquedos para adornar os seus móveis... Entramos na igreja e nesta ocasião celebrava-se a missa cantada com acompanhamento a órgão. Ao Evangelho, sobe ao púlpito o prior da freguesia do Castelo, reverendo Almeida, que fala da Natividade de Cristo, historia a sua vida, sua morte e ressurreição, deixando a numerosa assistência entusiasmada. Finda esta primeira parte do programa, organiza-se a procissão, que percorre o trajecto habitual, seguida pela banda de Cezimbra, que execiuta uma das suas marchas. Depois deste solene acto, os romeiros, cada um para seu lado, estendendo-se pelo vasto recinto, saboreando as suas merendas e bebendo uns copitos do rei... Baco. À tarde, a Banda da Sociedade Musical Cesimbrense realiza um concerto, no coreto que fica junto à capela (...) Nota curiosa: enquanto a banda toca, os campónios dançam num revoltear estonteante, ainda que seja ao som da música clássica, dando assim satisfação à alegria que lhes vai na alma, esquecendo, por momentos, todas as agruras da vida... Apesar da banda, os componentes da festa não dispensam a gaita de foles e os respectivo tamboreiro, que, tocando algumas melodias... e o velho ‘fandango’, de ritmo animado, serve de entretenimento dos antigos foliões. Assistimos ainda à arrematação de oferendas, bandeiras e quadros. É outra fase da festa que marca, entre aquela gente, por que os rapazes novos cobrem lanços sobre lanços das suas ofertas, para que as ‘moças casadeiras’ apreciem quais os rapazes que têm mais coragem e até onde chega... a sua bolsa”.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Banksy.... back

BANKSY - 6.ª Avenida em Nova Iorque, dia 6 de Outubro

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

"Eu não temo a morte, temo ficar em silêncio diante da injustiça ... "Malalai Joya"

"I don't fear death; I fear remaining silent in the face of injustice ... I say to those who would eliminate my voice: I am ready, wherever and whenever you might strike. You can cut down the flower, but nothing can stop the coming of the spring." — Malalai Joya, A Woman Among Warlords

"Eu não temo a morte, eu temo ficar em silêncio diante da injustiça ... Eu digo áqueles que querem calar a minha voz: Eu estou pronta, onde e quando vocês me podererem atacar. Vocês podem cortar a flor, mas nada pode impedir a vinda da primavera "-. Malalai Joya, Uma mulher entre os Senhores da Guerra
Malalai Joya

Salvador Dali 1954

“I DON’T do drugs. I am drugs,” said the master of surreal art, Salvador Dali