quarta-feira, 9 de julho de 2014

Fábulas e Contos de Alfarim: A PETINGUINHA DE SESIMBRA

O Pescador andava no seu barco pequenino, ao sabor das ondas, pelas águas de Sesimbra.
Há mais de cinco dias que não apanhava nada, lançava as redes, esperava, recolhia-as e nada.
Regressava a casa de cabeça baixa e triste. No entanto, ao chegar, o seu rosto iluminava-se com a recepção dos seus filhos.
- Diz-me Pai, apanhaste um Tubarão grande e feroz? Dizia o mais novo.
- Ou um Polvo gigante das profundezas? Com o qual tiveste de lutar, com os seus longos e fortes tentáculos? Dizia o mais velho.
O Pescador respirava fundo, engolia em seco e respondia:
- Hoje tive de lutar com gigantes serpentes marinhas, que afastaram os peixes da minha rede!
Depois, entravam na humilde casa. A mãe estava junto ao fogão e no ar pairava um cheirinho delicioso. Estava a preparar um caldinho. Lavavam as mãos e sentavam-se à mesa, um de cada lado do Pai.
No outro dia, lá ia novamente o Pescador, expectante e esperançoso para a faina. O mar estava muito agitado e no ar as gaivotas barulhentas voavam de um lado para o outro. Entrou no seu barquinho e lá foi. Depois de ter remado durante uma hora, parou junto de uma pequena arriba abrigada e lançou as redes. Esperou, esperou e passado um bom bocado começou a puxar lentamente a rede. À medida que puxava a rede o desânimo aumentava, não vinha nada, nada. Continuou a puxar e já mesmo no fim da rede vinha uma Petinguinha pequenina e brilhante.
O Pescador, triste, olhou para o pequeno peixe aos pulos dentro do barco a debater-se pela vida.
Pegou num frasco vazio que tinha dentro do barco, encheu-o com água salgada e pôs a Petinga lá dentro, que saltitava e rodopiava de um lado para o outro. Depois colocou as mãos sobre o rosto e começou a chorar.
A sua pele estava queimada do sol e da água salgada. As mãos calejadas tremiam.
Só se ouvia o som do mar, calmo e suave.
Pegou no frasco e olhou para a petinga, que não se mexia e olhava-o fixamente.
-Vou levar-te para casa!
Pousou o frasco no fundo do barco, arrumou as redes e começou a remar para terra.
Quando chegou a casa os filhos perguntaram:
- Trouxeste peixe Pai?
O Pai ficou sem saber o que responder, porque só trazia aquela pequena petinga, que nem ao mais pequeno mataria a fome. Valeria a pena sacrificar o pobre peixe?
Quando viram a Petinguinha, brilhante que nem prata, as crianças ficaram paradas a olhar para o frasco. Quanto mais olhavam mais a Petinga brilhava. Para espanto do próprio pai, que há muitos anos pelo mar andava, nunca tinha visto tanto brilho num peixe tão pequeno, ele próprio começou a ficar curioso e os seus olhos também se fixaram na Petinga.
Maravilhados, resolveram coloca-la dentro de um grande alguidar, onde a mãe costumava lavar a roupa. Assim que caiu dentro do recipiente maior a Petinga saltou radiante de alegria e rodopiou dentro do alguidar, de um lado para o outro.
Vendo a alegria dos filhos, o pobre Pescador resolveu poupar a vida à Petinguinha e no dia seguinte levou-a consigo, para larga-la novamente no mar.
Remou até junto da pequena arriba onde a tinha apanhado e lançou a Petinga à água. Olhou para baixo e ali estava o pequeno peixe, parado a olhar para ele. Nadava um bocadinho, parava e voltava ao mesmo sítio. Então o Pescador resolveu segui-la. Remou mais um pouco e depois deixou de vê-la. A Petinga tinha-o conduzido mais à frente, a um sítio mesmo debaixo da rocha.
O mar agitou-se e o Pescador olhou para a água. O seu rosto iluminou-se, debaixo do barco andavam cardumes e cardumes de peixes. O Pescador lançou imediatamente as suas redes ao mar e recolheu-as cheias. A partir dessa data os dias de pesca nunca mais foram tristes, pois a pequena Petinga passou a guiar sempre o pescador para os melhores pesqueiros, fazendo com que este regressasse a casa sempre com peixe para os seus filhos, que o esperavam ansiosos para ver a pescaria.

Fábulas e Contos de Alfarim: DOM GASPAR DE LA BROA

Andava valente e emproado, cavalgando com o seu belo e altivo cavalo russo, de nome Andarilho, o Senhor Dom Gaspar De La Broa.
Cavaleiro e cavalo, destemidos, aventuravam-se pelas terras a sul do Condado Portucalense em busca de Mouros Estava uma bela manhã de Verão e o fiel amigo Violino, um cão, seguia-os de perto com as orelhas em pé.
O carreiro era apertado e a vegetação muito densa.
- Não se escondam! Venham até nós, seus invasores! Nós vamos conquistar este território!
Dizia Dom Gaspar De La Broa, erguendo no ar uma enorme espada reluzente.
Para além do som das passadas do cavalo e do cantar dos pássaros, não se ouvia mais nada.
Já estavam a andar à mais de duas horas e nem sinal dos Mouros.
A postura altiva e aprumada, foi substituída por uma figura estafada do cavalo, e uma postura desalinhada e um ar aborrecido do cavaleiro, só o Violino se mantinha vigilante.
De repente, o cão, que agora ia à frente, sempre desperto, parou… fez-se um silêncio assustador e o cavalo ficou em sentido.
Dom Gaspar compôs-se, levantou os ombros e endireitou as costas, olhou para o fundo do carreiro com os olhos arregalados e procurou um sinal do inimigo… os Mouros.
O silêncio foi quebrado por um som melodioso e suave, um canto belo e harmonioso… Debaixo de uma árvore gigante com uns extensos ramos esguios, envoltos por folhas verdes de uma hera, estava sentada sobre uma pedra uma donzela. A jovem penteava os seus longos cabelos louros, reluzentes como sol, com um pente de ouro, era bela e cantava um lindo cântico.
- Uma Moura Encantada…
Ficaram os três hipnotizados com tanta beleza e magia… enquanto o cavalo, a passos muito vagarosos se aproximava da Moura.
- Meu jovem e bravo cavaleiro… que procuras aventuras destemidas… és nobre e corajoso, buscas a glória… vem… vem … aproxima-te… vem até junto de mim…
Dom Gaspar De La Broa desceu do cavalo e aproximou-se da Moura. Andarilho e Violino olhavam fascinados, parados lado a lado.
- Já te esperava há algum tempo… ansiosa que tu, com a tua vigorosa espada me libertasses deste encantamento… peço-te que me ajudes e em troca dar-te-ei um maravilhoso tesouro…
O Violino ladrou e deu ao rabo e o Andarilho relinchou, quando ouviram a palavra tesouro.
- O que queres que faça? Perguntou Dom Gaspar.
A Moura levantou um pouco o vestido. No seu pé direito, descalço, tinha envolta uma corrente que a prendia à pedra.
- Quebra esta corrente com a tua nobre espada e libertar-me-ás deste feitiço…
Dom Gaspar levantou a espada no ar e deixou-a cair sobre a grossa e ferrugenta corrente.
Fez-se um estrondo enorme e a corrente quebrou-se… uma luz mágica e intensa envolveu todo o local, parecia que caiam estrelas do céu, não se conseguia quase abrir os olhos, nem se via nada.
De repente tudo desapareceu e ficou um aroma a flores no ar. No sítio onde estava a Moura, em cima da pedra estava uma cesta, coberta com um pano de linho bordado a ouro.
Dom Gaspar De La Broa aproximou-se e levantou o pano, o seu rosto iluminou-se e os seus olhos reluziram de felicidade perante o que viam dentro da cesta …
- BROAS DE ALFARIM!
- Simão? Simão Gaspar? Simão Gaspar!? Gritou a Professora.
- Sim…, sim… Senhora Professora? - Responda à pergunta! Onde é que o menino está com a cabeça?   
- Qual é o nome da Batalha entre Mouros e tropas de D. Afonso Henriques, onde este se autoproclamou Rei de Portugal?
- Hum…hum… Broas de Alfarim! Responde o Simão meio assarapantado.
Toda a turma desata a rir perante o olhar incrédulo da Professora.
- Batalha de Ourique Professora, Batalha de Ourique!
Trim, trim… toca para a saída. Os meninos arrumam e começam a sair da sala de aulas.
- Desculpe Professora! Estava a viajar na tempo…
- Dom Simão, Dom Simão… A Professora pisca-lhe o olho.

Fábulas e Contos de Alfarim:VOLUNTARIADO DE BICICLETA

Quando éramos mais pequenos, eu e o meu irmão, só brincávamos dentro do quintal, a minha mãe não nos deixava sair para o exterior, era perigoso e nós éramos pequeninos, o grande portão verde no fundo do jardim era a grande barreira. Mas agora que já estamos mais crescidos e é Verão, os dias são grandes e quentes, a mãe abre uma excepção.
Chamo-me Filipa e tenho 11 anos, o meu irmão tem 10 anos e chama-se Simão, vivemos em Alfarim, uma Aldeia pequena e antiga, próxima da praia e rodeada de pinheiros.
As ruas são pouco movimentadas, excepto a estrada principal, ai temos de ter muito cuidado e atenção. Assim, todos os dias quando saímos da Escola, pegamos nas nossas bicicletas e percorremos as Ruas de Alfarim a toda a velocidade, sempre a competir a ver quem chega primeiro.
Nestes passeios de bicicleta saudamos e cumprimentamos os vizinhos e conhecidos, Alfarim é uma aldeia pequena e toda a gente se conhece. Pedalar, pedalar, pedalar e sentir o vento fresco na cara, no pensamento o mapa com o traçado do percurso…
Existem muitos velhotes, simpáticos e sorridentes, que noutros tempos andavam a trabalhar nas terras e enchiam as estradas de terra batida de carroças puxadas por burritos e mulas.
Hoje os tempos são outros e a idade também já não permite.
Paramos em várias casas, descemos das bicicletas e conversamos animadamente com os velhotes, que ficam radiantes quando nos vêem chegar. Às vezes até já estão à nossa espera.
Como é fim de tarde mas ainda está calor, sentamo-nos ao fresquinho nas soleiras das portas e bebemos água fresquinha que o tio João tira do Poço, com um velho balde de ferro. Estamos ofegantes de tanto pedalar.
Às vezes apanhamos laranjas e descascamos enquanto conversamos, são tão azedas, mas sabem mesmo bem. O Simão diz palhaçadas, eu faço perguntas e ouvimos atentamente as histórias de outros tempos, que estes homens e mulheres contam emocionados e saudosos, muitas vezes com os olhos cheios de lágrimas. As histórias são maravilhosas, às vezes gostava de também as ter vivido. Os velhotes ficam contentes por nós nos interessarmos e ouvirmos, ou simplesmente por aparecermos.
Com o passar do tempo criamos laços de amizade, familiares, trocamos pequenos miminhos, insignificantes para nós, mas tão marcantes e essenciais para eles. É gratificante e compensador ver a alegria nestes rostos. Mais à frente a Tia Violeta, já está ao portão com o gato amarelo à nossa espera.
- Olá meninos! Vão para casa que já está de noite! Amanhã venham mais cedo, vou fazer uma limonada.
- Vamos tentar vir mais cedo e ajudamos-te a regar os limoeiros!
- Combinado meninos, até amanhã!
O sol desapareceu, o céu está cinzento e os candeeiros de rua já estão a piscar, colocamos os pés nos pedais, mãos nos volantes e toca a acelerar as bicicletas. Pelo caminho acenamos com as mãos até perder de vista, amanhã é outro dia e há mais visitas para fazer.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Palme D'Or


A famosa e cobiçada Palme d’Or que premia o melhor filme do prestigiado Festival de Cannes custa 20.000 euros e é fabricada com 118 gramas de ouro puro colada num bloco de cristal. Cada peça é única, porque o cristal pode ser de um tom um pouco diferente a cada ano. Produzidas por joalheiros da Chopard, com duas versōes «minis » para o melhor ator e melhor atriz. São estes artesãos que produzem a maioria das jóias que vemos na “red carpet” usadas pelas estrelas, todas as noites, durante o festival!


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Castelo_Info - .º1 Novembro_13

“O Cezimbrense”, n.º 493, 5.1.1936

05/01/1936
 “Alfarim é uma pequena mas interessante aldeia da freguesia do Castelo do concelho de Cesimbra, que dista, aproximadamente, oito quilómetros da vila, ficando situada ao Norte do concelho, tendo, pelo lado poente, o Oceano Atlântico, distinguindo-se do seu fundo, a Lagoa de Albufeira (...) que nos mimoseia pelo seu valor agrícola, pois possui, não só vastas ribeiras, como terrenos de regadio de abundante produção de milho, trigo, feijão.
Esta região é fértil também em pinheirais, sobreirais e hortaliças. Sob o ponto de vista pecuário, é um importante meio de procriação, mormente em gado caprino e lanígero. Circundam a aldeia de Alfarim as herdades da Foreira, Aiana, Ferraria e Apostiça, grandes fulcros de produção agrícola, que são um factor importante da riqueza do nosso concelho. A população – na sua grande maioria composta de trabalhadores rurais –, que, de manhã à noite, labuta na terra mater (...) num labor contínuo, empresta à sua pobreza o pão quotidiano”. A Festa de Alfarim “(...) Nas (...) humildes habitações (de Alfarim), destaca-se um edifício que marca, não só pela sua alvura como pelo que ele representa para aquele povo de fé e crença: a sua Capela, denominada templo da Nossa Senhora da Conceição, mandada construir pelos seus antepassados
e mantida – embora com sacrifício – pelos habitantes de Alfarim, Caixas e mais lugares circunvizinhos, que, levados pela sua religiosidade, pagam para que o pároco da freguesia ali vá, todos os Domingos e Dias Santificados, celebrar a sua missa, à qual assistem com convicta devoção. Neste templo, celebram-se anualmente duas festas importantes: a primeira, no Dia de Todos os Santos; a segunda, nos dias 26 e 27 de Dezembro. É pois sobre as festas do Natal, realizadas em Alfarim, que nos vamos ocupar (...) Ao entrar na ridente aldeia, já um pouco estropiado, deparei com um ‘unhaca’ que fazia parte da Comissão das Festas. Depois de um breve cumprimento, o nosso amigo conduz-me a uma barraca, daqueles estabelecimentos edificados com quatro adelgaçadas varas de pinho e vedados com dois metros de calhamaço, e oferece-nos um dos maiores manjares e especialidades da terra: as afamadas broas de Alfarim (...) Finda esta refeição (...) dei uma volta pelo recinto e pude observar que alguns milhares de pessoas ali permaneciam, vindas de todas as regiões circunvizinhas e, até, da sede do concelho. Por toda a parte se viam os chamados ‘bolacheiros’, com os seus tabuleiros e as mais variadas doçarias; os quinquilheiros, com as suas ‘bugigangas’, a convidar os noivos a já os brinquedos para adornar os seus móveis... Entramos na igreja e nesta ocasião celebrava-se a missa cantada com acompanhamento a órgão. Ao Evangelho, sobe ao púlpito o prior da freguesia do Castelo, reverendo Almeida, que fala da Natividade de Cristo, historia a sua vida, sua morte e ressurreição, deixando a numerosa assistência entusiasmada. Finda esta primeira parte do programa, organiza-se a procissão, que percorre o trajecto habitual, seguida pela banda de Cezimbra, que execiuta uma das suas marchas. Depois deste solene acto, os romeiros, cada um para seu lado, estendendo-se pelo vasto recinto, saboreando as suas merendas e bebendo uns copitos do rei... Baco. À tarde, a Banda da Sociedade Musical Cesimbrense realiza um concerto, no coreto que fica junto à capela (...) Nota curiosa: enquanto a banda toca, os campónios dançam num revoltear estonteante, ainda que seja ao som da música clássica, dando assim satisfação à alegria que lhes vai na alma, esquecendo, por momentos, todas as agruras da vida... Apesar da banda, os componentes da festa não dispensam a gaita de foles e os respectivo tamboreiro, que, tocando algumas melodias... e o velho ‘fandango’, de ritmo animado, serve de entretenimento dos antigos foliões. Assistimos ainda à arrematação de oferendas, bandeiras e quadros. É outra fase da festa que marca, entre aquela gente, por que os rapazes novos cobrem lanços sobre lanços das suas ofertas, para que as ‘moças casadeiras’ apreciem quais os rapazes que têm mais coragem e até onde chega... a sua bolsa”.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Banksy.... back

BANKSY - 6.ª Avenida em Nova Iorque, dia 6 de Outubro