segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Catequese em Alfarim - Inscrições

A Catequese voltou a Alfarim!!!!!!
Podem também inscrever-se ao Domingo na Igreja de de Alfarim, antes ou despois da Missa, que se realiza ás 09h30m.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Queremos dinamizar a nossa terra “Alfarim”

Gostava que na minha terra houvesse mais iniciativas, se promovessem eventos culturais para os mais jovens, música, arte, literatura, que se lembrassem dos mais idosos e dos outros também.
Pode-se fazer tanta coisa e muitas vezes com tão pouco.
A nossa terra revela-se ao mundo, como uma terra bonita, hospitaleira e com um povo lutador, que não dá descanso à criatividade e invenções gastronómicas.
Era giro, por exemplo, um Quiosque de rua, com panfletos e roteiros turísticos da zona e outras sugestões, que podia muito bem ser no Jardim, que agora já não é um jardim.
Uma mini Biblioteca, com um computador, onde os jovens se reunissem para estudar ou trocar ideias. Um espaço onde se pudessem expor os trabalhos dos criativos da terra, pinturas, desenhos, histórias, cerâmica, rendas, bricolage, tantas coisas.
Sonhando mais alto, porque não um Museu, com fotos antigas, que há muitas espalhadas, que narram a história e a evolução da terra até aos nossos dias, podiam também expor artefactos e outros instrumentos que antigamente eram usadas na agricultura e roupa. Neste museu podia haver uma sala de Teatro e Cinema e haver actuações, mesmo ao ar livre.
Coisas que nos façam sair de casa e trazer outras pessoas de fora, para estimular e impulsionar a nossa terra e tudo o que ela nos oferece.
Gostava que a Autarquia, a Junta de Freguesia, se lembrassem mais de Alfarim!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Fábulas e Contos de Alfarim: CONCHAS NA AREIA

O meu pai é pescador desde os onze anos de idade, a sua vida é o mar, o meu avô é pescador e o meu bisavô também era.
É uma vida muito dura e difícil!
Durante alguns anos o meu avô andou à pesca em mares longínquos e ficava alguns meses sem vir a terra. O meu pai e o meu tio ficavam tristes, tinham saudades dele e rezavam para que voltasse depressa.
Os tempos eram difíceis e as pessoas passavam por algumas dificuldades.
A minha avó era costureira e passava os dias em frente à máquina de costura. O meu pai e o meu tio jogavam ao berlinde e batiam ás portas das vizinhas e depois fugiam a correr como loucos.
Quando chegava o fim-de-semana, depois de fazerem os trabalhos de casa, a minha avó fazia-lhes uma surpresa. O meu pai diz que eram os momentos mais felizes que passavam. Desciam a rua de mãos dadas, a cantar e a dançar, ansiosos por chegar ao fim da Rua, que desembocava no mar. Quando chegavam, ficavam ali parados e pasmados a olhar a imensidão azul e reluzente. Depois desatavam a correr em direcção à água, tiravam os sapatos e molhavam os pezinhos na água fresca.
A minha avó mandava-lhes água com as mãos e ria à gargalhada, enquanto o meu pai e o meu tio fugiam. Eram momentos inesquecíveis para aqueles dois!
A minha avó levava um saquinho de pano e depois apanhavam conchinhas. Percorriam o areal duma ponta à outra, ás vezes vinha uma onda e roubava-lhes uma concha. Havia búzios e conchas maravilhosas e raras. A minha avó dizia-lhes que algumas tinham dado a volta ao mundo. Quando o sol se começava a esconder no horizonte, regressavam a casa. Assim que chegavam, despejavam o saquinho em cima da mesa e ficavam embasbacados a olhar para aquele tesouro maravilhoso. Depois punham as conchas em frascos de vidro. As mais bonitas, a avó fazia pulseiras e colares, que o meu pai e o meu tio ofereciam ás raparigas na escola. Eram outros tempos e outras vidas.
Hoje em dia, todos os Domingos à tarde, o meu pai leva-me a mim e ao meu irmão à praia, a mesma praia e o mesmo mar. Corremos todos contentes pela praia à procura de conchas e búzios, tal como ele, o meu tio e a minha avó faziam há trinta anos.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Fábulas e Contos de Alfarim: GAIVOTAS PERDIDAS


Nesta baia encantada vi um dia partir do Porto aquele por quem o meu coração anseia,
Nasci aqui nesta terra, nas minhas veias corre sangue de água salgada,

Sobre a areia fina os meus pés correram a toda a velocidade,
os intensos raios de sol abençoaram a minha áurea,
e a frescura vinda do mar, arrefeceu o meu coração,

A melodia do canto das gaivotas conduz-me ao porto,
onde tu estás, instintivamente, à minha espera,
Dançamos ao som das ondas, cantamos sobre as rochas e ouvimos o murmurar das sereias...
nos céus as gaivotas...

Sem saber, despedimo-nos um do outro,
sem saber, que seria a última vez,
Éramos felizes…

Sobre as nossas cabeças, lá esvoaçavam elas, brancas, imaculadas e belas, as gaivotas...

E o barco partiu,
Para longe, mar adentro, para nunca mais voltar, perdido noutro lugar, noutro mar qualquer, um mar desconhecido, 
Foi abraçado, pelas ondas revoltosas, que o puxaram e arrastaram, para as profundezas, para o desconhecido.

Espero em vão, no porto, olho o mar, este mar vasto e belo, com tantas memórias,
A sede de amar consome-me, o meu corpo está frio e só, o único som que ouço é o silêncio,

O mar é o mesmo, imenso e belo, o canto das gaivotas, gaivotas perdidas, como eu, num mar tumultuoso, egoísta e perfeito.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Fábulas e Contos de Alfarim: O BURRINHO DE ALFARIM

Era uma vez um burrinho muito, muito velhinho, que tinha uma Dona igualmente tão velhinha quanto ele.
A Velhinha era viúva e vivia sozinha com o seu burrinho. Andava sempre vestida de preto, com um lenço na cabeça, atado de baixo do queixo e um avental muito velho e gasto.
Todos os dias saiam para ir para a horta. O Burrinho com a albarda e dois cestos, um de cada lado e a Velhota com as rédeas na mão puxava-o, e lá iam pela estrada abaixo muito devagarinho, pois as pernas já não permitiam andar mais depressa.
Quando chegavam à horta, o Burrinho ia pastar debaixo de uma oliveira e a Velhinha pegava no seu sacho e começava a arrancar as ervas que cresciam por entre cenouras, nabos e hortaliças.
Depois pegava na foice e apanhava algumas serralhas, que cresciam nos carreiros, para levar para os coelhos.
Antes de regressarem a casa, ainda ia ao poço, lançava o velho balde de ferro ferrugento à água e depois muito devagarinho puxava-o para cima e dava de beber ao seu burrinho, já com a barriga cheia de ervas. Depois lá iam eles, os dois muito devagarinho pela estrada fora, de regresso a casa.
Um dia a Velhinha que vivia sozinha com o seu burrito e não tinha família nenhuma, morreu.
Então o pobre do Burrinho ficou tão triste, tão triste que zurrou e zurrou de tristeza.
Um Velhote que por ali ia a passar com o seu neto, ficou espantado e foi ver o que se passava.
Quando espreitou para dentro do palheiro viu o Burrinho sozinho, deitado na palha, infeliz e amargurado. Quando os viu o Burrinho levantou-se, aproximou-se das tábuas e com a cabeça começou a roçar no Velhote e no Netinho.
-Coitadinho Avô, está sozinho.
-Está velhote como eu, já não serve para nada…
-Não digas isso avô, eu adoro-te.
O velhote começou a pensar, a pensar e olhava para o burrinho.
-Hoje vais connosco para nossa casa.
E assim foi, o Burrinho velhinho lá foi com o Avô e o Neto para a sua nova casa, onde passa os dias a pastar num pasto com erva verdinha e muito gostosa.