quinta-feira, 21 de setembro de 2017
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
A Mina de Diatomito de Alfarim
Na região de Sesimbra encontram-se algumas ocorrências de
diatomito que foram objecto de exploração mineira, sendo que o depósito mais
intensamente explorado se localiza nas proximidades de Amieira em Alfarim.
Associado ao jazigo mineral, encontra-se também uma
unidade transformadora. Esta mina está abandonada desde 1984, mas apresenta um
conjunto de características que lhe conferem um elevado interesse patrimonial
geológico-mineiro e que justificam a tomada de medidas que promovam a sua
preservação.
O diatomito, conhecido também por outras designações, é
uma matéria-prima explorada com variadas finalidades, essencialmente
industriais: agente de polimento, pastas dentífricas, filtrante, cimento,
revestimentos, isolante térmico, entre outras. Uma das mais particulares
aplicações de diatomito, já histórica, foi a da utilização no fabrico de
dinamite devido à sua elevada capacidade absorvente.
As ocorrências de diatomito mais conhecidas em Portugal
encontram-se a Norte do Tejo, sobretudo nas regiões de Rio Maior e Óbidos. A
Sul do Tejo são também conhecidas algumas ocorrências no Barreiro e, em
especial, na região de Sesimbra. Aqui, foram atribuídas concessões de
exploração em vários locais nas vizinhanças da Lagoa de Albufeira: Coelheira,
Abogaria, Ferrarias e Amieira- Alfarim.
No total do distrito de Setúbal, a produção destas
explorações chegou a atingir um total de 750 toneladas, em 1957 e de somente
112 em 1962.
A última das concessões referidas, a Mina de Amieira, terá sido a que mais intensamente lavrou e produziu, até ao seu encerramento em 1984. Neste local, para além do jazigo mineral encontra-se nas proximidades a respectiva unidade de transformação da matéria-prima. É este conjunto, jazigo e unidade transformadora, que apresenta características patrimoniais.
A última das concessões referidas, a Mina de Amieira, terá sido a que mais intensamente lavrou e produziu, até ao seu encerramento em 1984. Neste local, para além do jazigo mineral encontra-se nas proximidades a respectiva unidade de transformação da matéria-prima. É este conjunto, jazigo e unidade transformadora, que apresenta características patrimoniais.
O jazigo de diatomito da Amieira em Alfarim, foi o mais
intensamente explorado entre todos os da
região de Sesimbra, é de pequena dimensão sendo que, no máximo, o depósito
explorado não excede os 3 m de espessura; o diatomito é de cor esbranquiçado e
apresenta leitos arenosos intercalados.
Aspecto geral de uma frente de exploração do
jazigo de diatomito de Amieira
Pormenor dos níveis de diatomito
A extracção era efectuada de modo artesanal, com
recurso somente a enxada e picareta, e o material
extraído transportado, em carrinho-de-mão, até à
unidade transformadora, conhecida localmente por
“fábrica de giz”, que se situava a cerca de 100 m de
distância. Aqui o material era descarregado
no anexo do edifício que funcionava como armazém.
Aspecto geral da unidade transformadora
(“fábrica de giz”) da mina de Amieira
O armazém de diatomito no interior do
edifício
Uma vez chegado ao armazém, o material era encaminhado
para transformação que consistia, fundamentalmente, em moagem, primeiro mais
grosseira, depois mais fina, seguido de separação granulométrica por gravidade
e embalagem de pó de diatomito em sacas de papel.
Assim, os blocos de diatomito
armazenados eram colocados numa calha onde um veio sem-fim, os desagregava e
transportava até um de dois moinhos eléctricos (seleccionados consoante a
granulometria pretendida). A partir destes moinhos o material moído circulava
por um conjunto de ciclones, nos quais se efectuava a separação granulométrica.
Cada fracção recolhida era então embalada em sacas de papel cujo peso final
variava entre 18 a 20 kg, que eram cozidas à mão pela única funcionária da
mina, e nas quais era pintada a identificação da empresa mineira e a designação
do produto final: “Diatomite Alfar”.
Veio sem-fim para desagregação e transporte
de diatomito
Ciclones para separação granulométrica
Chapas para inscrição do nome da empresa e
do produto “diatomite Alfar”
No interior do edifício encontra-se ainda armazenada uma
grande quantidade destas sacas com os diferentes tipos de moagem que nunca
chegaram a ser comercializadas. O destino final deste produto era,
principalmente, para aplicação na construção civil (revestimentos e isolantes).
Embalagens de diatomito moído ainda
armazenados no interior da unidade transformadora
Para além do equipamento atrás descrito é de referir a
existência, em razoável estado de conservação, de um motor a fuel, cuja função
principal era a de accionar o funcionamento do veio sem-fim de transporte do
diatomito para os moinhos. Simultaneamente, todo o calor produzido pelo
funcionamento do motor era recuperado e utilizado para aquecimento da calha de
transporte de modo a secar alguma humidade existente nos blocos de diatomito e
a impedir que o veio encravasse. Por outro lado, este motor fazia funcionar um
gerador que, para além de alimentar os motores eléctricos dos moinhos, fornecia
energia eléctrica para todo o edifício.
Motor a fuel fonte de energia da mina
Do ponto de vista didáctico e cultural, o jazigo de
diatomito de Amieira apresenta um excelente exemplo da importância da Geologia
para a Sociedade através da demonstração do aproveitamento de materiais
geológicos, e constitui simultaneamente um local com elevado interesse em
termos de Arqueologia Industrial.
A Mina de Diatomito de Alfarim apresenta, assim, um
elevado interesse patrimonial sob vários aspectos e justifica claramente a
tomada de medidas que possam permitir a sua preservação, manutenção e posterior
divulgação através, por exemplo, da sua musealização. No entanto, alguns dos principais obstáculos à protecção
do local prendem-se com questões de propriedade, tanto do terreno como da
concessão mineira, e com outras relacionadas com projectos de utilização
previstas para a área (classificada em carta de ordenamento do plano director
municipal como “espaço para equipamentos”).
Deste modo, só a intervenção conjunta de várias
entidades, desde a autarquia local ao CN, passando pelo ex-IGM (INETI) e, certamente,
pela colaboração dos próprios proprietários o terreno e da exploração, tornará
viável a salvaguarda deste rico património geológico-mineiro. Uma nota final
para o registo da acelerada degradação da Mina de Amieira, com a queda de parte
do telhado durante o último Inverno, o que torna cada vez mais premente a
realização de acções de recuperação e manutenção do edifício.
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
A Rua Alto da Carona em Alfarim
O Círio de Nossa Senhora do Cabo foi
realizado pela primeira vez em 1430.
O Círio, é a romaria de uma comunidade
ou população a um santuário "de destino", como paga de uma
"promessa colectiva" ou de uma "promessa antiga", uma
peregrinação, sendo obrigatório o percurso e a passagem por determinados
lugares.
A comunidade através de iniciativas
diversas, como peditórios, arrecada os fundos necessários à realização da
romaria.
No santuário "de destino"
venera-se a imagem de uma santa. Esta imagem ficará à guarda de um dos círios,
isto é, de uma das comunidades envolvidas no culto, em casa do juiz, que também
arrecada e conserva as insígnias e outros bens que fazem parte da romaria.
Este depósito transitório da santa,
geralmente com duração de um ano por cada círio, termina com o transporte em
romaria da imagem até ao santuário.
Para venerar Nossa Senhora do cabo,
estavam agremiadas em Confraria vinte e seis freguesias do termo de Lisboa: S.
Vicente de Alcabideche, S. Romão de Carnaxide, S. Julião do Tojalinho, S. Pedro
de Penaferrim, Nossa Senhora da Misericórdia de Belas, Santa Maria de Loures,
S. Lourenço de Carnide, S. Pedro de Barcarena, S. Pedro de Lousa, Santo Antão
do Tojal, Nossa Senhora da Purificação de Oeiras, Nossa Senhora do Amparo de
Benfica. S. Domingos de Rana, S. João das Lampas, Nossa Senhora da Purificação
de Montelavar, Nossa Senhora de Belém de Rio de Mouro, Nossa Senhora da Ajuda,
Nossa Senhora de Belém, Ascensão e Ressurreição de Cascais, Santíssimo Nome de
Jesus de Odivelas, S. Martinho de Sintra, S. Pedro de Almargem do Bispo, Santo
Estevão das Galés, Nossa Senhora da Conceição de Igreja Nova, S. João Degolado
de Terrugem, S. Saturnino de Fanhões, Santa Maria e S. Miguel de Sintra a que
se acrescentariam outros círios, como os da Caparica, Seixal, Arrentela,
Almada, Palmela, Azeitão e Sesimbra, Setúbal e Coina.
Cada uma destas freguesias tinha à sua
guarda, durante um ano, a réplica da Imagem da Real Capela do Cabo, ficando
obrigada a custear as festas realizadas em sua honra.
A celebração de Nossa Senhora do Cabo
dá-se em Setembro.
O culto de Nossa Senhora do Cabo
sempre foi particularmente acarinhado pelos membros da Família Real Portuguesa,
sabendo-se que os Duques de Bragança (futuro D. João VI) e D. Miguel foram
juízes do círio, respectivamente em 1784, 1796 e 1810.
Também a rainha D. Maria II mandou
fazer uma bandeira com a imagem da Senhora do Cabo bordada a ouro e o frontal
de altar usado na cerimónia de casamento de D. Carlos e D. Amélia de Orléans
pertencia ao santuário do Cabo Espichel.
Todos os anos a Imagem era trazida a
Belém, seguindo depois por via fluvial até à outra margem, onde se organizava o
famoso círio que a acompanhava ao Santuário do Cabo.
Os festejos, a que acorria sempre uma
multidão de romeiros, duravam cinco dias consecutivos, tendo início na
terça-feira que antecedia a Ascensão. Nesse dia, o círio saía de uma
determinada freguesia, que tinha por obrigação depositar a imagem da Senhora do
Cabo na capela de Nossa Senhora das Dores, em Belém.
Na quarta-feira, a imagem atravessava
o rio em direcção a Porto Brandão, sendo transportada por escaleres da Casa
Real e saudada pelas fortalezas com uma salva de vinte e um tiros.
Após o desembarque, formava-se de novo
o cortejo que seguia à beira-mar atá ao santuário do Cabo Espichel, onde a
imagem era aguardada por festeiros e mordomos.
No século XVIII, as festas incluíam
espectáculos de ópera e de touros, aos quais assistia a Família Real. Relata
frei Cláudio:
" Foi o Senhor D. José (...) com toda a Família Real,
A Nossa Senhora do Cabo, fazer a festa do costume, e ahi se fizeram funções
Reaes dignas de tal Monarcha. Mandou este Senhor para comodidade dos Romeiros,
que se armassem barracas por detraz das casas que estão no Arraila da parte do
Sul, as quaes vierão da fundição, e todos ficarão muito bem acomodados. Mandou
dar desasseis bois de bodo, e não quiz que se alterasse nada do costume. Foi
toda a Corte a tão luzida funcção, em que houverão três tardes de toro.
Correndo toda a despeza por conta de sua Magestade, nada mais dependeo a
Confraria do que pagar ao Capellão./ El rei nosso Senhor mandou fazer
concertos, e reparos nas casa precisas, renovou tudo, e enriqueceo a Fabrica
com os ricos ornamentos, bordados (...) que se conservão no Thesouro do Paço de
Belém onde está o mais que tem dado suas Magestades e Altezas quando tem
servido.He digna de memoria a generosidade com que este grande Monarcha
concorreo para se fazer a obra da casa de água, de que necessitava aquela
terra, permittindo fazerem-se humas tardes de touros na Junqueira cujo producto
era applicado para a dita obra, dando o mesmo Senhor do seu bolcinho muitos mil
cruzados."
Segue-se uma descrição da romaria de
1784, em que foi juiz do círio de Queluz o futuro D. João VI:
" Os festeiros embarcavam em Belém nas galeotas e
faluas reais e desembarcavam em Porto Brandão onde o povo os esperavam com
foguetes e morteiros. Enquanto a Torre de Belém dava as salvas de estilo, o
cortejo dirigia-se à Capela onde os "Anjos" três crianças vestida à
romana, cantavam as "loas". Em seguida organizava-se o cortejo a
caminho do Cabo ao som de música, foguetes e repicar do sino pela seguinte
ordem; à frente seguia no meio de grande cavalgada o juiz da festa, empunhando
a bandeira do círio, depois os três "Anjos" montados em cavalos
brancos. Atráz seguia a Berlinda com a Imagem da Santa cercada por cavaleiros
empunhando velas, depois ia o carro com os Padres, outro com procuradores e
finalmente a galera da música. Na cauda seguia o povo em dezenas de carros de
toda a espécie, com os mais variados ornamentos, que formavam uma alegre e
extensa fila."
No século XIX, a ida ao Cabo passou a
realizar-se de quatro em quatro anos sem que, no entanto, se interrompesse a
transferência solene da uma freguesia para outra. A Implantação da República e
a nova mentalidade então vigente quebraram a tradição secular do círio que, na
opinião de muitos autores, se encontrava praticamente extinto desde 1851,
quando Sintra deixou de cumprir as suas obrigações.
Desde então, a Imagem foi vítima de
graves mutilações, para só agora ser restaurada e restituída ao culto.
Como a
distância entre as freguesias era grande, a condução da Imagem fazia-se numa
berlinda (Coche), processional atrelada a duas parelhas e sempre acompanhada de
inúmeros carros, cavalos e lanceiros. Esta Berlinda (Coche/Carruagem),
imponente e artisticamente valiosa é oferecida à Imagem de Nossa Senhora, pela
Família Real Portuguesa, por volta de 1740, pela devoção e padroado da Real
Capela pertencer à Casa do Infantado.
Para finalizar esta pequena análise, em
Alfarim existe ainda hoje uma Rua chamada Rua Alto da Carona, por onde seguia o
sumptuoso cortejo com a Imagem da Senhora, integrando diversos carros, os criados
cedidos pela Casa Real e a própria Família Real, em direcção ao Cabo Espichel.
O povo esperava por boleia ou carona, (um
termo brasileiro, que passou a ser muito utilizado, após o regresso da família real do Brasil), para seguir em peregrinação para o Cabo Espichel.
sexta-feira, 25 de agosto de 2017
Casa do Rei D. Carlos I na Lagoa de Albufeira
"O pequeno, modesto prédio da casa real, de um só pavimento ao rés-do-chão, fica à beira do Lago, na solidão da Charneca. A paisagem é de uma grande melancolia, simpática, de um encanto profundamente penetrante. A água tranquila da grande lagoa, o áspero aspecto da charneca, a grande solidão, a planície, o profundo silêncio, infundem uma pacificação e um sentimento de serenidade infalível."
Ramalho Ortigão, escritor
Ramalho Ortigão, escritor
O pequeno e modesto prédio da casa real, era um dos retiros predilectos do Rei D. Carlos I, que ali passava a maior parte dos seus tempos livres.
Casa do Infantado
Casa do Infantado hoje em dia
Rei D. Carlos I à caça
Ramalho Ortigão
O meu Blog
Uma das coisas mais giras de
ter um blogue onde se partilha o que quer que seja que nos rodeia é que, por
cada vez que nos deslocamos, a nossa publicação se desloca também.
O que aqui partilho são coisas que acompanham o meu dia a dia, as minhas vivências, curiosidades, interesses e as minhas, nossas recordações... principalmente da nossa terra... ALFARIM.
Ao publicar estou, mais que a
partilhar o que quer que seja, a documentar a minha memória futura.
Que é como
quem diz, a assegurar que um dia mais tarde ela não se me varra das recordações.
domingo, 10 de janeiro de 2016
Notáveis de Alfarim, Ti-Chico Rabeça
Ti Chico Rabeça, uma figura inesquecível da nossa terra, sempre fiel ao seu barrete preto ao longo dos anos, umas das peças do traje típico de Alfarim. Quem o vê aqui sentadinho na cadeira, na imagina a velocidade e genica com que passeia por Alfarim na sua bicicleta!
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