sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Os tempos são outros e as brincadeiras de infância já não são o que eram.

Quando éramos pequenas eu e as minhas grandes amigas, Teresa e Luísa, “o cérebro”, que por ser mais velha nos orientava e manipulava para as tropelias mais fantásticas e alucinantes de sempre, vivemos aventuras memoráveis e inesquecíveis.
Uma das minhas favoritas era ir “armar aos pássaros”, como isco usámos formigas de asa, que normalmente apanhávamos na serra e púnhamos dentro de um frasco de vidro, cuja tampa furávamos com um prego, ou então lagartas que tirávamos das maçarocas de milho. Depois lá íamos, fazíamos um valado, montávamos a ratoeira e íamos embora. No final do dia fazíamos a ronda para ver se tínhamos apanhado alguma coisa. Muitas vezes algumas ratoeiras já não tinham o isco e voltávamos a armá-las para o dia seguinte. Desde asas brancas a pardais, a maior recompensa de todas era um melro, era como se tivéssemos ganho a lotaria.
Durante o dia organizávamos verdadeiros e elaborados assaltos a pomares, ás vezes até com o próprio dono no local, o que tornava tudo ainda mais alucinante e chegávamos a casa com sacos carregados de fruta.
No Vale Brejo havia uma Nespereira gigante, que ainda hoje aparece nos mesmos sonhos, uma árvore vigorosa e resplandecente, com as suas longas folhas verdes. Na altura de dar fruto, quase parecia uma árvore de natal, onde as nêsperas eram as bolas, gigantes e suculentas, quase não tinham caroço. Cada uma de nós tinha o seu território, a sua pernada, o seu ramo. A Luisa, a líder, era mesmo no carrapito, na parte mais alta, eu e a Teresa ficávamos mais abaixo, cada uma de um lado. Éramos capazes de ficar ali uma tarde inteira, cada uma sentada no seu ramo a comer nêsperas… que grandes barrigadas.
As nossas aventuras não tem fim e existem muitas mais… que ficarão para outro dia, para não alongar muito o texto.

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