sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Fábulas e Contos de Alfarim: CONCHAS NA AREIA

O meu pai é pescador desde os onze anos de idade, a sua vida é o mar, o meu avô é pescador e o meu bisavô também era.
É uma vida muito dura e difícil!
Durante alguns anos o meu avô andou à pesca em mares longínquos e ficava alguns meses sem vir a terra. O meu pai e o meu tio ficavam tristes, tinham saudades dele e rezavam para que voltasse depressa.
Os tempos eram difíceis e as pessoas passavam por algumas dificuldades.
A minha avó era costureira e passava os dias em frente à máquina de costura. O meu pai e o meu tio jogavam ao berlinde e batiam ás portas das vizinhas e depois fugiam a correr como loucos.
Quando chegava o fim-de-semana, depois de fazerem os trabalhos de casa, a minha avó fazia-lhes uma surpresa. O meu pai diz que eram os momentos mais felizes que passavam. Desciam a rua de mãos dadas, a cantar e a dançar, ansiosos por chegar ao fim da Rua, que desembocava no mar. Quando chegavam, ficavam ali parados e pasmados a olhar a imensidão azul e reluzente. Depois desatavam a correr em direcção à água, tiravam os sapatos e molhavam os pezinhos na água fresca.
A minha avó mandava-lhes água com as mãos e ria à gargalhada, enquanto o meu pai e o meu tio fugiam. Eram momentos inesquecíveis para aqueles dois!
A minha avó levava um saquinho de pano e depois apanhavam conchinhas. Percorriam o areal duma ponta à outra, ás vezes vinha uma onda e roubava-lhes uma concha. Havia búzios e conchas maravilhosas e raras. A minha avó dizia-lhes que algumas tinham dado a volta ao mundo. Quando o sol se começava a esconder no horizonte, regressavam a casa. Assim que chegavam, despejavam o saquinho em cima da mesa e ficavam embasbacados a olhar para aquele tesouro maravilhoso. Depois punham as conchas em frascos de vidro. As mais bonitas, a avó fazia pulseiras e colares, que o meu pai e o meu tio ofereciam ás raparigas na escola. Eram outros tempos e outras vidas.
Hoje em dia, todos os Domingos à tarde, o meu pai leva-me a mim e ao meu irmão à praia, a mesma praia e o mesmo mar. Corremos todos contentes pela praia à procura de conchas e búzios, tal como ele, o meu tio e a minha avó faziam há trinta anos.

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