quarta-feira, 22 de abril de 2009


Nas minhas idas e vindas diárias, sempre gostei de fazer este percurso, apesar da estrada ser relativamente estreita e com umas curvas traiçoeiras, há uma grande ligação afectiva a todo o cenário ambiental e visual deste trajecto, é a minha terra, as minhas origens. No Verão para os visitantes é um autêntico deleite, as árvores a ladearem a estrada, muito frondosas e altas, com as copas a tocarem-se, formando um verdadeiro túnel de verdura. A maior parte destas árvores eram pinheiros e freixos. Na última semana, verificou-se um corte de árvores nesta zona, pensei que fosse apenas para cortar os ramos que atrapalhavam a circulação automóvel. Este abate começou no final de 2008, e as árvores abatidas eram Freixos e Choupos com mais de 300 anos, árvores centenárias, Pinheiros Bravos de grande porte e Pinheiros Mansos. Infelizmente no nosso concelho fala-se em vegetação como se fosse lixo. De acordo com a legislação em vigor quaisquer acções no domínio ambiental que impliquem aterros, escavações e cortes de árvores devem garantir que não contribuem para aumentar a erosão e o risco de cheias e que não implicam a destruição da flora, da fauna, e dos ecossistemas locais, situação que, neste caso, está longe de se verificar. A vegetação nesta área suporta uma grande diversidade biológica, desempenhando um papel muito importante na alimentação e refúgio para várias espécies animais, assim como «funções insubstituíveis como a prevenção da erosão e actua como filtro biológico dos poluentes através das raízes de árvores e arbustos». Por isso, reclamo «mais fiscalização e uma atenção especial no acompanhamento das intervenções» assim como o bom senso dessa Administração, apelando aos cidadãos para que denunciem situações semelhantes. Convém salientar ainda, que estas árvores pertencem à área abrangida pela reserva natural da Lagoa de Albufeira.

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